segunda-feira, 20 de março de 2017

"O Ninho"



Quando toda a gente me pergunta "E ele dá-te boas noites ou não?" e eu respondo sempre "Sim, dorme a noite inteira desde o primeiro dia.", segue-se sempre um muito admirado "És uma sortuda!"

Na verdade ele dorme comigo. 

Mas quando refiro isto logo se vêem as expressões de quem pergunta a mudar para um visível "menina, está o caldo entornado...", "o que é que foste fazer!", "nunca vai ganhar independência nem aprender a dormir sozinho, etc." 

Co-sleeping (ou dormindo em conjunto) é o que chamam ao fenómeno que recentemente tem sido estudado, aprovado e aconselhado por pediatras, psicólogos e especialistas do sono por todo o mundo ao invés dos tradicionais moldes e hábitos de dormir "cada um na sua cama", "o mais cedo possível", para "promover a independência" e habituar o mais rápido possível ao estar sozinho, com todos os medos, inseguranças, choros, más noites e outros desafios que isso implique. 

Estou convencida que essa ânsia em despachar tudo, criar uma independência rapidamente e só porque sim nas nossas crianças e empurrá-las o mais rápido possível para o jardim de infância, para a escola, para o trabalho...é fruto de uma sociedade que promove cada vez mais a desconexão, individualismo, competitividade e o "fazer" em detrimento do "ser" resultando em mais adultos desnorteados, inseguros e pouco conectados consigo próprios, com o seu "Eu" e com as suas características e potencialidades e com tudo o que os rodeia. 

Ora, não fará falta assumir que um bebé é um ser indefeso e totalmente dependente? 
Não fará falta entendermos que uma criança é um ser em plena descoberta de um mundo totalmente estranho e novo? 
Não ajudará existir ao menos um respeito pelo seu ritmo de aprendizagem e adaptação e o sentimento pleno de que é amada e não está sozinha? 
Como podemos acreditar que deixar um bebé dormir sozinho é o melhor para ele quando a sua natureza é oposta e o corpo da mãe por perto é sinal de segurança? 

Claro que há que avaliar também primeiro e muito bem o bem-estar de toda a família em relação ao assunto (há mães e pais que dizem não ser capazes de dormir descansadas com os filhos) Embora um grande número de médicos e pediatras continue a defender o berço como regra e até como melhor medida de descanço e segurança, defendem os novos estudos que esta tendência traz inúmeras vantagens de bem-estar a nível emocional, físico e uma forma de melhor desenvolver a auto-confiança, segurança e auto-estima e independência do bebé e o vínculo afectivo de toda a família, assim como também revelaram um decréscimo muito significativo no número dos casos trágicos e sem explicação de Morte Súbita Infantil (também conhecida como "Morte do Berço"), sendo considerada uma prática bastante segura desde que tomadas as devidas medidas de segurança quanto ao local (cama) eliminando os riscos de queda e entalanços e que as pessoas que dormem com a criança se encontrem bem de saúde, não fumem, não se encontrem excessivamente cansadas ou sob o efeito de álcool ou estupefacientes. 

Sempre adorei observar o comportamento animal e não conheço de facto nenhuma mãe que durma longe das suas crias e como a Natureza é sábia e não faz nada por acaso, também nos sabe tão bem enroscar-nos com os nossos bebés e quando os pesadelos e o medo nos apertavam durante a noite, não havia sítio mais mágico e seguro do que no calor dos nossos pais. 

Por alguma razão existe algo de muito quente que nos abraça na palavra "ninho". 
É esse o lugar destinado à infância, ao nutrir e ao fortalecer e ao crescer. 

Pela minha curta experiência, pela maioria dos artigos que tenho encontrado sobre o assunto e pelos os relatos da experiência dos pais de vários amigos meus que partilhavam com frequência a cama com os filhos (e nunca se arrependeram) e embora nos sujeitemos a diversos episódios de empurrões, posições estranhas, cabeçadas e pés mínimos enfiados na cara, estas são as grandes vantagens do "Co-Sleeping": 

1. Noites mais descansadas 
2. Mais horas de sono 
3. Maior vínculo afectivo entre a família 
4. Bebés mais descansados e confiantes 
5. Maior facilidade logística para dormir fora 
6. Maior facilidade na amamentação, visto que os bebés estão mesmo "à mão" as mães não precisam de acordar nem levantar-se para as mamadas durante a madrugada porque o bebé aprende a "servir-se" sozinho (yep...tal como os cachorrinhos!) 
7. Noites mais quentinhas 
8. Mães menos preocupadas que o bebés se destapem (logo mais descansadas) 
9. Excelente oportunidade de usufruir de mais tempo com o bebé, sobretudo para os pais que têm pouco tempo disponível 
10. Menos roupa para lavar! 

Claro que para funcionar harmoniosamente toda a família tem de estar em sintonia e de acordo com a prática. 
Quanto à vida do casal? Nada que mais criatividade e outros locais e circunstâncias não resolvam (o que pode muito bem ser uma mais valia para sair da rotina). 

Até agora foi das melhores decisões que tomei, detestava a sensação de abandono quando deixava o meu bebé a dormir no berço (mesmo ao meu lado) e passei a dormir muito melhor. 

Não me preocupa quando é que ele irá aprender a dormir sozinho na sua cama, no seu quarto. 
Cada coisa a seu tempo e tal como os passarinhos aprendem a voar e largar o ninho e se vão aventurando cada vez mais longe, quando ele se sentir pronto também o fará. 

Ninguém chega aos 18 anos a dormir na cama dos pais. 

O meu papel como mãe é prepará-lo o melhor possível para o mundo lá fora, dar-lhe força, confiança e assegurá-lo de que é muito amado e que aqui tem sempre um lugar seguro. 

Por enquanto ele é apenas um bebé e eu só quero aproveitar isso ao máximo, de preferência em "conchinha". 

Boa noite.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Frutas



Nos primeiros tempos apenas é indicado o consumo de pêra e maçã e a partir dos 7-8 meses o bebé já pode começar a comer fruta da época e consoante a condição em que se encontra (estação do ano, clima, etc.) cozida se no frio ou fresca se no calor (para ajudar a regular a temperatura do corpo), segundo a nutricionista.
Com estas indicações vieram duas receitinhas bem simples e fáceis de preparar com a introdução de novos alimentos e sabores: fruta desidratada e frutos secos.

Novamente utilizo a minha técnica dos frasquinhos e cada receita equivale a um frasco bem cheio de uma papa de fruta altamente nutritiva e saborosa.

A primeira receita baseia-se em maçã:

Ingredientes

- 3 maçãs pequenas descascadas e cortadas em pedaços

- 2 alperces secos (damascos)

- 3 amêndoas

Os frutos secos costumo comprar com casca e descasco em casa, pra além de se conservarem mais tempo, acho mais higiénico. Utilizo sempre com pele que é rica em fibra e nutrientes.

Preparação: basicamente atiro tudo para um tacho com um pouco de água, fervo uns 3-4 minutos, escorro a água e passo com a varinha mágica.

Para a segunda receita a preparação é a mesma apenas mudam os ingredientes:


- 3 pêras pequenas descascadas e cortadas em pedaços

- 1 ameixa seca

- 2 nozes

A partir daqui são possíveis milhares de combinações com frutos diferentes.



Até congelei um monte de amoras silvestres que apanhei perto de casa no final do verão só para fazer estas papas! MAS vim a saber que, tal como os amendoins, são potenciais alergéneos, pelo que se recomenda a sua introdução apenas a partir dos 12 meses. Por isso vou eu comê-las em batidos ;))




Quanto à fruta fresca, como ainda estamos no Inverno e o Coquinho ainda não tem nenhum dente, até agora só experimentou chupar pedaços de maçã e laranja (que normalmente se costuma dar por volta dos 12 meses) mas como esteve constipadito e é rica em vitamina C, experimentei dar-lhe um gomo bem grande e lá o devorou todo satisfeito.
Como não houve nenhuma reacção alérgica, continuei a dar-lhe vários gomos ao longo do dia e à noite já não fungava do nariz ;) por isso laranja já lhe fica no cardápio!

Esta semana irá experimentar abacate (rico em ômegas 3 e 9) e banana (rico em magnésio, potássio, ferro, cálcio, fósforo e outras vitaminas).

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Amor, tinta e teimosia.

Desenho original de Luz S. Miguel
Quando vem um bebé e o tempo de sobra ainda existe, acho que a parte mais divertida é mesmo a preparação de tudo para receber esse pequeno humano e como o que gosto mesmo é de construir coisas, pintar, sujar as mãos e transformar, aliada à melhor partner de desenho e ilustração que podia ter (Mamã, claro! Isto das tintas tinha de ser coisa de família!), como me irrita ter de gastar dinheiro em coisas que posso fazer (ainda por cima personalizadas) e como acredito que o amor está nos detalhes, lá foi surgindo o quarto do meu Coquinho.


Tudo começou com um móvel antigo muito escuro, que estava a atrapalhar a arrecadação de uma vizinha. Como andava numa de arranjar móveis e transformá-los, ela muito amavelmente mo ofereceu.



Lá o fui buscar e lhe “dei uma volta”, e de idoso lá se renovou e ganhou uma vida completamente diferente. Entretanto lá esqueci o assunto no atelier do meu pai... (Mal sabia eu que o Coquinho estava a caminho!)






Quando começámos a pensar na transformação do quarto do meu pequeno humano, lá me lembrei novamente do móvel e como tinha na ideia um quarto simples, sem muita coisa (para ser prático de limpar e arrumar), pareceu-me perfeito para arrumação e “mesa de trabalho” de fraldas. Ainda sim achei-o demasiado sério e precisava de um toque infantil, por isso lá pesquisei várias imagens (e creio que com a história do veganismo esteja implícito o amor que tenho à bicharada) encontrei duas crias lindinhas de raposa e de coelho que lhe acentaram que nem uma luva.


Porquê uma raposa? Gosto de raposas.

Porquê um coelho? É um quarto de bebé, tinha que ter algum cliché!

E os pequenos peludos resultaram fantasticamente um com o outro.

Então comecei a procurar o berço.

De todos os que vi, achei os modelos de berços standartizados, muito parecidos uns com os outros e com diferenças de preço abismais quando na verdade a unica coisa que mudava era a curva da cabeceira, a cor ou pouco mais.

Como não encontrei nenhum de que me enamorasse pensei “Não! Eu Sozinha!” - Era o que dizia à minha mãe com 4 anos quando não lhe queria dar a mão para atravessar a estrada.
Construir um berço não ia ser diferente.

Lá me pus a esboçar o que queria, pesquisei acerca das normas e medidas padrão de berço que eram consideradas seguras, fui para o atelier do meu pai e meti mãos à obra.


Gosto do contraste de formas desenhadas com formas naturais e tentei tirar partido disso. Não quis uma gaiola para pôr o meu bebé a dormir e pensei mais num género de cabana.



O meu pai tinha apanhado pelo caminho uns troncos de umas árvores que tinham sido podadas e quando os vi, eram exactamente aquilo que tinha em mente.

 

Meia dúzia de madeiras, parafusos, tinta e 48h depois, já tinha o meu fantástico berço handmade e único pronto!


Quanto ao resto do quarto, nem eu nem a minha mãe tinhamos nenhuma ideia definida.

Eu apenas sabia que queria que tivesse a ver com terra, animais, Natureza.

Às três cores de tinta que já tinhamos por casa (azul, amarelo e vermelho) juntei uma lata de tinta branca e deu-nos margem para fazer uma vasta de gama de cores diferentes. Como não me estava muito a apetecer cair na história do “azul é de menino, rosa é de menina” e queria uma cor que desse um ar quente e acolhedor o quarto, lá parti para um salmão alaranjado que ficou e para não tornar a coisa muito estática nem monocromática, a minha mãe (que é daquelas com olho para o detalhe) sugeriu um friso de riscas brancas com um azul acizentado muita bonito, que já tinhamos.


A partir daqui foram-se adicionando elementos e o tecto (a minha mãe já tinha na ideia um trompe l’oeil, uma ilusão pintada de uma clarabóia aberta, talvez nocturno, com uma coruja a entrar quarto dentro. Mas como o quarto é pequeno achámos que ficaria com pouca luz. Por isso optámos por um céu diurno, e como é para um bebé: cheio de andorinhas, que representam as boas novas!



Como viagens trazem sempre novos mundos, novas possibilidades, novo futuros e novos sonhos, e como do centro do tecto cai um fio com uma lâmpada...que abajour melhor se adquaria do que um balão de ar quente no meio do céu?



Lá fiz o meu candeeiro com artigos simples, baratos e fáceis de encontrar (podem assistir ao video da construção do candeeiro aqui)



Mais tarde a minha mãe foi adicionando alguns pormenores pintados que representam cenas de algumas fábulas de La Fontaine:

Desenho original de Luz S. Miguel
Desenho original de Luz S. Miguel


No fundo a única coisa que comprei para o quartinho foi o colchão do berço e um par de mudas de cama.



Mais perfeito não podia ter ficado. :)



segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Malditos SAPINHOS...

Aquele choro irritadiço, vontade de comer a toda a hora e manchinhas brancas na boca?
Yep.
Os malditos dos "sapinhos".

Apareceram pela primeira vez quando o Coquinho tinha cerca de um mês e meio.
Claro que peguei nele e o levei logo ao médico e aparentemente a única coisa que se receita para esta chatice é Daktarin Gel (antifúngico para pôr na chucha, mãos do bebé e mamilos da mãe que amamenta) e Micostatin (um antifúngico oral para tratar o aparelho digestivo).
Durante cinco dias, tomou tudo direitinho, três vezes por dia e funcionou na perfeição!
Os sapinhos desapareceram completamente...durante duas semanas.
Mas "sapinhos" outra vez. 
Médico outra vez. 
Outra vez Daktarin, outra vez Micostatin. 
Outras três vezes por dia, outros cinco dias.
Ao segundo dia o Coquinho não está bem, chora muito e parece desconfortável.
Ao terceiro dia o Coquinho está mais chorão e não consegue dormir mais de 15 minutos. Os "sapinhos" estão a desaparecer.
Ao quarto dia o Coquinho não dorme de todo e chora o dia inteiro.
Ao quinto dia o Coquinho não está melhor e vai ao médico outra vez.
Diagnóstico: Coquinho têm uma crise de cólicas e obstipação BRUTAL por causa dos fantásticos Daktarin e Micostatin que são super agressivos para um organismo tão frágil.
As enfermeiras ajudam o Coquinho a limpar o intestino e o Coquinho dorme pela primeira vez quatro horas seguidas todo descansadinho.
Mas os malvados dos "sapinhos" não dão tréguas e insistem em reaparecer passados uns dias e como este menino bolsava até mais não, o ácido do estômago dava cabo da flora bacteriana natural da boca, fazendo com que os "sapinhos" se desenvolvessem mais facilmente...

Então comecei a pesquisar acerca de tratamentos naturais para a candidiase oral (é este o nome pomposo da coisa) e apareceram-me várias soluções. 
As que acabei por experimentar foram:

- Uma solução de bicarbonato de sódio (1 colher de sopa) para 1L de água e ir limpando a boca do bebé (e os mamilos da mãe se estiver a amamentar) com uma gaze antes e depois da mamada; 
- Um produto que antigamente se usava muito: Violeta Genciana
Aparentemente é uma tintura utilizada como princípio activo de uma série de antifúngicos que estão no mercado. Um frasco dura a vida inteira e custa cerca de 80 cêntimos, na farmácia. 
Uma gotinha num cotonete aplicada directamente nas manchinhas da boca do bebé (e mamilos da mãe) duas ou três vezes ao dia arruma os "sapinhos" durante bastante tempo. 

Não se recomenda o uso prolongado mas uma vez por outra à partida não tem riscos nem contra-indicações, a não ser ficar com a boca (e mamilos!)  toda roxa e muito possivelmente a roupa, a cama, a cara, as mãos, a camisola e soutien da mãe e a toalha da mesa mais fina e branca que tiver em casa...mas nada que duas ou três lavagens não resolvam, e claro: todo um portefólio de fotografias embaraçosas para chantagear futuramente quem não comer a sopa!
Na rua há também o risco de olhares alheios a transparecerem um "que pais tão irresponsáveis, deixam o bebé comer canelas de feltro!".

Mas até agora (aos sete meses) usei apenas em três episódios da maldita candidiase.  
E "sapinhos"? 
Nem vê-los!


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

"Não dês colo."

Mas eu dou. Muito.

Afinal só são bebés por muito pouco tempo.

Nunca fui muito "fã" de bebés, mais por vergonha e não saber comunicar com eles porque nunca tinha lidado com nenhum mas assim que fui mãe, rendi-me completamente. Entretanto nunca resisti a pegar em tudo o que era bicharada e ficar com eles ao colo até que se fartassem e fugissem de mim a sete pés.

Quando o Coquinho nasceu já me tinha cruzado com pessoas na rua que carregavam os bebés numa espécie de mochilas e aquilo pareceu-me ser super prático e vantajoso do ponto de vista de proximidade mamã-bebé.

Questionei, ao sair da maternidade, um pediatra que nos fez uma última visita para saber se tinhamos alguma dúvida sobre dos cuidados com o bebé, acerca dessas mochilas (marsúpios) ao que ele me respondeu que não aconselhava o uso de mais de 20 minutos por dia porque não permitiam uma posição confortável para o bebé e podem causar inúmeros problemas de coluna, má circulação sanguínea, displasia da anca, não darem um bom suporte à cabeça, etc. e aconselhou-me a pesquisar sobre panos porta-bebés. Foi assim que conheci o babywearing, que traduzindo à letra significa "vestindo o bebé" (como quem diz tê-lo junto ao corpo e não vestir-lhe roupa).

Aparentemente existem milhares de opções de panos porta-bebés e mochilas ergonómicas que permitem um correcto posicionamento do bebé que fica super cómodo (com as perninhas em "M", posição tipo sapinho), com um bom apoio da coluna e sem obstrução das vias respiratórias e bem seguros ao corpo do portador.

As vantagens desta prática são muitas: os bebés sentem-se seguros junto ao corpo da mãe/pai e por isso ficam mais calmos, adormecem facilmente, muitos porta-bebés facilitam a amamentação de forma discreta fora de casa por exemplo (não é preciso tirar o bebé), permite um contacto constante corpo-a-corpo (o que no Inverno é fantástico!), facilita imenso as saídas de casa/passeios e mobilidade (não é preciso andar a empurrar carrinhos e arrastar metade das mesas do restaurante para chegar àquela mesa ou deixar de ir a sítio tal porque só tem escadas), adaptam-se perfeitamente ao corpo de quem carrega, distribuindo o peso do bebé por vários pontos de apoio (ombros, costas, ancas) em vez de apoiar o peso todo nos ombros e melhor que tudo...MÃOS LIVRES! Para comer! Para cozinhar! Para pintar! Para estender roupa! Para assoar o nariz! Para dar banho ao cão! Tudo, sem perdermos a oportunidade preciosa de ter o nosso bebé junto a nós.

A variedade de porta-bebés disponível no mercado vai desde o nascimento até pelo menos aos 20Kg (existem alguns para toddlers mas não tenho noção do peso máximo que suportam). Eu adquiri uma Boba (até aos 20Kg) quando o Coquinho estava com 6,5kg e agora que tem quase 10kg, ainda gosto mais dela. Uso várias horas por dia e há três meses que não saio de casa com o carrinho (e como o "veggiepower" não falha, ando com uma força bruta!).

Há alguns tempos andava a pesquisar sobre o que era isso do babywearing, e deparei-me com um texto lindo no blog "Às Claras" sobre o famoso palpite (para mim disparatados) que ouvimos enquanto "mamãs de primeira viagem": "Não dês colo" e que me fez todo o sentido:

"É um momento tão especial e tão nosso que ninguém deveria abdicar dele. É também aquele momento que nos vai fugindo ao longo dos meses, hoje passado um ano e meio, ela ainda pede muito colinho, mas não tanto, como aquele que eu gostava de dar. São colinhos breves, às vezes de alguns segundos porque o que está à sua volta é muito mais aliciante que estar quietinha e calma no colo da mãe. Sinto que o meu colo é trocado com muita frequência por as corridas atrás da bola, da gata, por o brinquedo que solta um som estridente, por o peluche macio ou apenas pela descoberta de mexer em todos os botões da máquina de lavar louça.
Por tudo isto eu digo “deem muito, muito colo”, eles precisam e nós também."

Excerto do texto "Não dês colo" de Ângela Rodrigues. 
Convido-vos a ler o texto todo aqui: http://asclaras.pt/2016/10/26/nao-des-colo/

Aconselho vivamente às mamãs com "instintos de kanguru" que se interessem por este assunto que se aconselhem e invistam num bom porta-bebés, ERGONÓMICO e disfrutem muito dos vossos bebés.
Deixo o link do grupo "Babywearing Portugal" no Facebook, com quem se podem aconselhar, tirar dúvidas e mesmo experimentar diferentes tipo de porta-bebés: 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Socorro! São CÓLICAS!

Falaram-me muito do assunto na maternidade, ensinaram a fazer as famosas massagens, avisaram para ter cuidado com a minha alimentação mas mesmo assim não consegui escapar àquelas temíveis horas de berraria aflita de uma coisinha tão pequenina sem saber o que fazer para ajudar.

Não aconteceu nenhum episódio de cólicas ao meu veggie-baby durante a nossa estadia no hospital mas vi todas as noites as raparigas com que partilhei o quarto, completamente desnorteadas a tentarem as massagens, dar mama, embalarem os seus bebés e nada. Até que chamavam as enfermeiras que com o seu ar de que quem sabe tudo e que traziam a solução no bolso.

E traziam. Vinha num frasquinho cor-de-rosa berrante, do tamanho de um verniz das unhas e chamava-se Aero-Om.
Aparentemente umas gotinhas daquilo acalmava os bebés e passados 5 minutos adormeciam.
Fiquei a pensar no assunto, não me convenceu muito mas lá segui com a minha vida.

Até que um dia, já em casa o meu Coquinho tem um ataque de gritos e como tentei de tudo e não acalmava, lá mandei o pai à farmácia buscar o milagroso Aero-Om.
Por quase 11 euros e umas gotinhas na chucha, o silêncio foi instantâneo. Cinco minutos depois o Coquinho, já exausto, estava a dormir.

Até que li a composição daquilo e resumia-se a sacarose (açúcar), aromatizantes artificiais, “E’s” e outros químicos que não sei escrever o nome.
Perguntei na farmácia se aquilo era mesmo eficaz para as cólicas e a resposta muito tímida da senhora que estava ao balcão foi “não, o Aero-Om é basicamente açúcar. Eles é que ficam distraídos com o sabor doce e acalmam um bocadinho”.

Fiquei um bocado enervada com aquilo, afinal tínhamos pago quase 11 euros por uma colher de açúcar e um nome pomposo!

Mesmo tendo cuidado com a minha alimentação, seguiram-se ainda alguns episódios de cólicas e gritaria que deixavam o meu bebé aflito e exausto e eu numa pilha de nervos em pânico.

Decidi então fazer o meu próprio Aero-Om caseiro, sem açúcares refinados nem químicos desnecessários e impronunciáveis, para utilizar SÓ EM CASO DE EMERGÊNCIA.

Misturei então uma colher de sopa de açúcar de côco (rico em ferro, zinco, magnésio e outras vitaminas e com um índice glicémico de 35 em comparação com a sacarose que tem um I.G. de 68), uma pitada de sal dos Himalaias (contém mais de 80 nutrientes e minerais) e duas colheres de sopa de água. Levei tudo ao lume cerca de 1-2 minutos para ferver e caramelizar. Esvaziei um frasco de soro fisiológico novo e meti o meu caramelo lá para dentro. Em caso de muita emergência, lá punha umas gotinhas na chucha para acalmar, muitas massagens, maminha e mimo resolviam o problema.

Às tantas alguém me falou no BioGaia, um probiótico que ajuda a regular a flora intestinal para além de reforçar o sistema imunitário. Dois dias depois de começar a tomar, notei uma diferença enorme no bem-estar dele (até começou a dormir melhor) e cólicas nunca mais!
O preço não é muito convidativo (entre os 20-24 euros) mas recomendo vivamente e claro que estes episódios são chatos e desgastantes, mas nada que uma boa dose de mimo e paciência não resolvam.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Maravilhas FAST FOOD!

Não, não tem nada a ver com batatas fritas e hamburguers.

Como trabalho não falta ao cuidar de um bebé, todos os métodos que facilitem tarefas e tornem as coisas mais práticas, são sempre bem-vindos.
Eu costumo andar sempre de um lado para o outro porque não tenho paciência para ficar no mesmo sítio muito tempo mas agora que o meu Coquinho já come 4 refeições por dia, torna-se complicado preparar tudo na hora, portanto o método FAST (rápido) FOOD (comida) que arranjei é muito simples:

Em 30 minutos preparo todas as refeições do dia, acondiciono-as e siga para bingo!

Felizmente encontrei por acaso numa feira de velharias em Lisboa um rapaz a vender parte do stock de frascos de uma fábrica que fechou. Então por 10€ comprei uma caixa de 20 frascos destes, tipo compota completamente novos:

Na altura ainda estava grávida e não sabia bem para que é que os queria mas vieram a revelar-se uma ajuda preciosíssima e encontram-se facilmente à venda.

Então o meu método de 30 minutos é muito simples:

1. Ponho o arroz integral de molho antes de dormir e LAVO OS FRASCOS.
2. De manhã atiro os vegetais da sopa do dia e a fruta para um recipiente com água e vinagre para desinfectar enquanto ponho o arroz ao lume para fazer as papas.
3. Descasco os vegetais e a fruta do puré (como só uso biológicos, batatas e cenouras tenho lavado bem e ponho com casca que é o que tem mais vitaminas) corto em bocados e atiro tudo (menos a fruta) para uma panela com água até cobrir.
4. Ponho outra panela com água ao lume para ferver os frascos (esterilizar), 10 minutos ao lume e já está frascos esterilizados e sopa cozida.
5. Enquanto passo a sopa com a varinha mágica, dou uma "escaldadela" na fruta para fazer o puré que depois passo com varinha mágica também. No fim de tudo passo o arroz integral.
6. Doseio tudo pelos frascos ainda em quente.


Et voilá! 
- Um ou dois frascos com papa de arroz (depende se dou uma papa de imediato antes de sair ou se é para comer pelo caminho), 
- Dois frascos com sopa
- Um com puré de fruta 

Tudo natural, altamente seleccionado, nutritivo, conservado a vácuo, sem conservantes nem tretas adicionais.


Para aquecer, como não uso microondas (destrói as propriedades da comida), basta por um tacho ao lume com água e quando está a ferver meto o frasco lá dentro durante 2-3 minutos.

Quanto às leguminosas para a sopa, costumo demolhá-las e cozê-las previamente com um bocado de alga kombu e congelo em cuvetes de gelo, assim apenas adiciono a quantidade necessária no final da cozedura da sopa, antes de passar.

P.S. - Pessoalmente prefiro fazer isto todos os dias para ir variando a alimentação, mas se não tiver muito paciência ou estiver apertada de tempo, esterilizo mais frascos e assim preparo comida para dois dias e pelo sim, pelo não conservo no frigorífico para o dia seguinte.