segunda-feira, 20 de março de 2017

"O Ninho"



Quando toda a gente me pergunta "E ele dá-te boas noites ou não?" e eu respondo sempre "Sim, dorme a noite inteira desde o primeiro dia.", segue-se sempre um muito admirado "És uma sortuda!"

Na verdade ele dorme comigo. 

Mas quando refiro isto logo se vêem as expressões de quem pergunta a mudar para um visível "menina, está o caldo entornado...", "o que é que foste fazer!", "nunca vai ganhar independência nem aprender a dormir sozinho, etc." 

Co-sleeping (ou dormindo em conjunto) é o que chamam ao fenómeno que recentemente tem sido estudado, aprovado e aconselhado por pediatras, psicólogos e especialistas do sono por todo o mundo ao invés dos tradicionais moldes e hábitos de dormir "cada um na sua cama", "o mais cedo possível", para "promover a independência" e habituar o mais rápido possível ao estar sozinho, com todos os medos, inseguranças, choros, más noites e outros desafios que isso implique. 

Estou convencida que essa ânsia em despachar tudo, criar uma independência rapidamente e só porque sim nas nossas crianças e empurrá-las o mais rápido possível para o jardim de infância, para a escola, para o trabalho...é fruto de uma sociedade que promove cada vez mais a desconexão, individualismo, competitividade e o "fazer" em detrimento do "ser" resultando em mais adultos desnorteados, inseguros e pouco conectados consigo próprios, com o seu "Eu" e com as suas características e potencialidades e com tudo o que os rodeia. 

Ora, não fará falta assumir que um bebé é um ser indefeso e totalmente dependente? 
Não fará falta entendermos que uma criança é um ser em plena descoberta de um mundo totalmente estranho e novo? 
Não ajudará existir ao menos um respeito pelo seu ritmo de aprendizagem e adaptação e o sentimento pleno de que é amada e não está sozinha? 
Como podemos acreditar que deixar um bebé dormir sozinho é o melhor para ele quando a sua natureza é oposta e o corpo da mãe por perto é sinal de segurança? 

Claro que há que avaliar também primeiro e muito bem o bem-estar de toda a família em relação ao assunto (há mães e pais que dizem não ser capazes de dormir descansadas com os filhos) Embora um grande número de médicos e pediatras continue a defender o berço como regra e até como melhor medida de descanço e segurança, defendem os novos estudos que esta tendência traz inúmeras vantagens de bem-estar a nível emocional, físico e uma forma de melhor desenvolver a auto-confiança, segurança e auto-estima e independência do bebé e o vínculo afectivo de toda a família, assim como também revelaram um decréscimo muito significativo no número dos casos trágicos e sem explicação de Morte Súbita Infantil (também conhecida como "Morte do Berço"), sendo considerada uma prática bastante segura desde que tomadas as devidas medidas de segurança quanto ao local (cama) eliminando os riscos de queda e entalanços e que as pessoas que dormem com a criança se encontrem bem de saúde, não fumem, não se encontrem excessivamente cansadas ou sob o efeito de álcool ou estupefacientes. 

Sempre adorei observar o comportamento animal e não conheço de facto nenhuma mãe que durma longe das suas crias e como a Natureza é sábia e não faz nada por acaso, também nos sabe tão bem enroscar-nos com os nossos bebés e quando os pesadelos e o medo nos apertavam durante a noite, não havia sítio mais mágico e seguro do que no calor dos nossos pais. 

Por alguma razão existe algo de muito quente que nos abraça na palavra "ninho". 
É esse o lugar destinado à infância, ao nutrir e ao fortalecer e ao crescer. 

Pela minha curta experiência, pela maioria dos artigos que tenho encontrado sobre o assunto e pelos os relatos da experiência dos pais de vários amigos meus que partilhavam com frequência a cama com os filhos (e nunca se arrependeram) e embora nos sujeitemos a diversos episódios de empurrões, posições estranhas, cabeçadas e pés mínimos enfiados na cara, estas são as grandes vantagens do "Co-Sleeping": 

1. Noites mais descansadas 
2. Mais horas de sono 
3. Maior vínculo afectivo entre a família 
4. Bebés mais descansados e confiantes 
5. Maior facilidade logística para dormir fora 
6. Maior facilidade na amamentação, visto que os bebés estão mesmo "à mão" as mães não precisam de acordar nem levantar-se para as mamadas durante a madrugada porque o bebé aprende a "servir-se" sozinho (yep...tal como os cachorrinhos!) 
7. Noites mais quentinhas 
8. Mães menos preocupadas que o bebés se destapem (logo mais descansadas) 
9. Excelente oportunidade de usufruir de mais tempo com o bebé, sobretudo para os pais que têm pouco tempo disponível 
10. Menos roupa para lavar! 

Claro que para funcionar harmoniosamente toda a família tem de estar em sintonia e de acordo com a prática. 
Quanto à vida do casal? Nada que mais criatividade e outros locais e circunstâncias não resolvam (o que pode muito bem ser uma mais valia para sair da rotina). 

Até agora foi das melhores decisões que tomei, detestava a sensação de abandono quando deixava o meu bebé a dormir no berço (mesmo ao meu lado) e passei a dormir muito melhor. 

Não me preocupa quando é que ele irá aprender a dormir sozinho na sua cama, no seu quarto. 
Cada coisa a seu tempo e tal como os passarinhos aprendem a voar e largar o ninho e se vão aventurando cada vez mais longe, quando ele se sentir pronto também o fará. 

Ninguém chega aos 18 anos a dormir na cama dos pais. 

O meu papel como mãe é prepará-lo o melhor possível para o mundo lá fora, dar-lhe força, confiança e assegurá-lo de que é muito amado e que aqui tem sempre um lugar seguro. 

Por enquanto ele é apenas um bebé e eu só quero aproveitar isso ao máximo, de preferência em "conchinha". 

Boa noite.

3 comentários:

  1. Concordo em absoluto o José fui assim é como sabes é um menino fantástico jinhos

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  2. Mamã romã. que maravilha, é mesmo assim, a minha neta yem3 anos, a caminho dos quatro, ainda dorme no ninho, tem maminha, e muito carinho, e só te digo que é uma menina super equilibrada, independente e confiante, apoio a 100 %, esse é o caminho, toda a família beneficia, bem hajas.

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  3. Quanta sabedoria, maturidade e conexão á nossa natureza, amei, uma pérola para mães e bébés <3

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